sensação de violeta

LUGAR PARA ME RECONHECER E ME PERDER.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Ser-tão só

Ao som de Beethoven, deixo escorrer toda minha loucura em ti.Quente, árida...não é deserto minha alma e sim sertão, esse lugar afastado das povoações, poroso e fragmentado.Como cheguei aqui? me pergunto.Tantos preferindo a cidade, e eu , inconscientemente ou não preferi o sertão.
Há tantas palavras(que agora parecem-me inúteis),que não foram ditas , só proferida pra você no meu pensamento.Mas não chegaram até você, nem mesmo sabes da complexidade e do intenso amor que meu peito desdobra por ti agora,creio eu, não tens idéia .Como eu não tenho idéia de sua subjetividade,do seu eu, agora distante, mas só imagino pois não sinto mais.
Certas coisas terminam , outras simplesmente param.Eu parei.Estou parada.Soa até meio ridículo colocar isso em público, mas minha natureza é lenta, é sempre demais tudo que sinto.
O sentir demais me leva ao sertão, solítária, onírica, puramente onírica(fiquei íntima dessa palavra com você).Lá no sertão, sinto a solidão horizontal da vida e queria que estivesses lá comigo, sentindo a pureza da solidão ...eu , você, o nós.Mas não seria possível porque tudo que é seco, árido e morto, eu não sentiria com você.O sertão desapareceria,como em meus sonhos.E outro cenário eu faria pra nós, pra tudo que faltou a nós viver, ou a mim.
A música de Beethoven é crescente e só me ajuda a expelir o que já está mais fora do que dentro.Porque dentro é só poço, poço que brota, onde desagua o meu amor. Mergulho dentro de mim, me afogo, respiro fora do poço, respiro , piro...
O meu amor , parece-me agora impossível, continua a sentir falta de sua chuva de calor e beijos.

Sábado, Abril 11, 2009




Sinto.


Quando não sinto, penso.


E quando eu penso,


piro no que sinto.

Terça-feira, Março 17, 2009

O olhar na palma da mão

Tudo veio pequenino, devagarinho, como se não quisesse assustar.Pegou minhas mãos de menina e me levou pra aquele lugar.Estranhei o ambiente, afinal fazia tanto tempo...que eu não relembrava, que eu não sentia aquilo...Eram grandes as muralhas avistadas das colinas.Muralhas amargas feitas de solidão.As sensações permanentes começavam a percorrer meu corpo com mais rapidez: vozes flutuantes, cheiro de passado, ar enlatado, mal conseguia respirar.Era assustadoramente familiar.As muralhas eram imponentes, poderia até arriscar em dizer que admirava-as.Isso não quer dizer que eu gostava de estar lá e que aceitava tudo aquilo.Era apenas um espanto de algo, seja ele bom ou ruim, ser tão grandioso.
Fiquei pensando como me puseram ali e pra quê, se tinha um objetivo científico ou apenas pressão psicológica.Apenas não...a pressão já era muita; vinha do chão , das paredes úmidas , do teto baixo..Quanto mais me rebelava, mais o ambiente diminuía, ficando sem metro quadrado de razão.Muitos foram os pedaços de minha alma que espalhei naquele lugar, todo ele era infestado de minha pessoa.Me confundia mais a curiosidade que eu tinha por mim mesmo.Resistia à aquele lugar e a sair dele.Como ir em paz?Quem pode despedir-se sem tristeza de sua amargura e de sua solidão?
Longas são suas noites de solidão; lá não havia estações do ano, horário de verão, nem galo cantando.
Creio que ainda há um tempo de permanência nessa misteriosa muralha , contudo, não posso demorar-me por mais tempo.Sei que não me puseram ali , estava lá desde sempre, desde o começo...eu acho.
A voz não leva consigo a língua e os lábios que lhe deram asas.Portanto, sei que foi sozinha que me embrenhei nessas colinas e é lá que deixarei meu ninho.

Sábado, Janeiro 31, 2009

uns e outros


Uns dias a pau-a-pique,

outros no fundo do mar.

Uns dias no deserto,

outros sem saber o que virá.






Domingo, Dezembro 07, 2008

texto a procura da existência perfeita

Não existe coisa mais sangrenta que viver
é penumbra, é festa, é ritual, é corte...

Não existe coisa mais deslumbrante que viver
é assalto poético, é encenação, é adoração

Não existe coisa mais egoísta que viver
é ego, é desejo, é impulso, é segredo

Não existe coisa maior que essa coisa do viver
é sub humana a condição,é uma aversão adorada, é dizer não quando se diz sim...



*O sim é um não que não possui certeza.
Estamos aprisionados em nossos pensamentos, o processo nunca termina.
Leitura recomendada : O processo , de Kafka e qualquer outro livro que pergunta, que não responde e deixa dúvidas sobre nosso existir.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

sobre minhas idéias eu é que pago a conta.

Domingo, Junho 08, 2008

Jogatina

num muro feito de tintas e cores,
perco meus botões e amores.
num vendaval que me atina,
vejo que não sou feita de purpurina.
num risco constante de uma cor,
transformo prazer em dor.
ainda descubro o papel de minha concubina,
antes de fechar as cortinas.