Ser-tão só
Ao som de Beethoven, deixo escorrer toda minha loucura em ti.Quente, árida...não é deserto minha alma e sim sertão, esse lugar afastado das povoações, poroso e fragmentado.Como cheguei aqui? me pergunto.Tantos preferindo a cidade, e eu , inconscientemente ou não preferi o sertão.
Há tantas palavras(que agora parecem-me inúteis),que não foram ditas , só proferida pra você no meu pensamento.Mas não chegaram até você, nem mesmo sabes da complexidade e do intenso amor que meu peito desdobra por ti agora,creio eu, não tens idéia .Como eu não tenho idéia de sua subjetividade,do seu eu, agora distante, mas só imagino pois não sinto mais.
Certas coisas terminam , outras simplesmente param.Eu parei.Estou parada.Soa até meio ridículo colocar isso em público, mas minha natureza é lenta, é sempre demais tudo que sinto.
O sentir demais me leva ao sertão, solítária, onírica, puramente onírica(fiquei íntima dessa palavra com você).Lá no sertão, sinto a solidão horizontal da vida e queria que estivesses lá comigo, sentindo a pureza da solidão ...eu , você, o nós.Mas não seria possível porque tudo que é seco, árido e morto, eu não sentiria com você.O sertão desapareceria,como em meus sonhos.E outro cenário eu faria pra nós, pra tudo que faltou a nós viver, ou a mim.
A música de Beethoven é crescente e só me ajuda a expelir o que já está mais fora do que dentro.Porque dentro é só poço, poço que brota, onde desagua o meu amor. Mergulho dentro de mim, me afogo, respiro fora do poço, respiro , piro...
O meu amor , parece-me agora impossível, continua a sentir falta de sua chuva de calor e beijos.


