Domingo, Janeiro 15, 2012

numa noite quente e árida
acompanhada de um pandeiro feliz
você pediu que eu rasgasse meus pulsos
para que deles jorrassem o que tenho de melhor
:o meu sangue.
um rio vermelho partiu meu corpo
e vi seu rosto ensanguentado e feliz por mim
que se esvaia em coágulos de ilusão.
comecei a perder os sentidos e os cabelos,
e a cada queda do meu batimento
você me amava ainda mais.
foi então que secreções jorraram de meus buracos
e regurgitaram minha linguagem
que, espantada, rastejava feito um caracol
nos meus líquidos.
//o ritmo ensurdecedor de sua felicidade,
coisa habitual perante meu drama,
fez com que minha linguagem se fragmentasse em instantes indizíveis
 espocando no ar como fogos de artifício.***

Domingo, Janeiro 01, 2012

(re)-(co)-meço-nas-lacunas

nas lacunas minhas(objeto constante de estudo),
tem-se a linguagem e o ruído do mundo .
um frenesi de utopias
/um espumante obcecado mundo-
uma pajelança de mundos povoam o meu e o teu
 horizonte ameno.

um rito silencioso desagua onde você me lê

tenho em mim um grito novo que me dilacera e
me renova-demoradamente.
numa explosão de fragmentos sou
lúcida e criança na miragem dum novo recomeço
*sinto minha penugem levemente adocicada por goles do novo ano *

sortilégio encantador.franja de possibilidades quentes.

- nesse ambiente ambivalente das sensações, eu, máquina corporal de anos
caminha bamba e certa nas tardes de horizontes
azuis-celestes -chocantes

(eu piso na grama onde você  não pisa)

toco o reboco através do meu bocejo que oculta: ....

meu corpo ferve numa mistura
de linguagens que me apavora e me aproxima
/sou toda carne e disso e pra isso vivo
                       **
nesse novo dia toco minhas pernas
que se abrem e dão a luz ao meu destino
-dar a luz rompe todos os meus medos tudo o que já escrevi

 rompo.desaguo.como um rio.
me reconstruo.cotidianamente.
**sobrevivo feito avalanche .

é um verão novo que desatina em mim
uma febre de linguagens envolve esse meu começo
que  conversa comigo alertando-me sobre mim
que olha distraidamente o céu e vê como o mesmo é magnífico
que pensa ser uma flor e
 desabrocha num tempo perpétuo.

Quarta-feira, Novembro 30, 2011

das lacunas

estou, nesse verão que chega,
compenetrada nas minhas lacunas caprichosas,
incomunicáveis , visíveis e deslizantes.

-tantas coisas-tantos espaços num só espaço -

marcadas por tatuagens , líquidos e
  lacres/entreabertos),
vou lambendo esses traços *sóbrios* e conceituais nascidos e abertos há anos.
 afundo minha língua nos espaços sem (   escolha a palavra a ser preenchida nesse parênteses)  
e assovio lá dentro momentos viris e uniformes
/desejo/
 descolando o plágio de seu rumo natural,
vejo quanto caldo há dentro
e quanto desejo possui esses espaços.
= desejo ( o desejo) de ancorar meu píer nu
e elucidar minhas referências paternas .

um negro assovio balança meu fígado
e eu não me espanto.
tento por hiatos traduzir meu aconchego árido
e percebo que essa é a minha missão de piloto.
vou resmungando e cavando um abcesso nas minhas entranhas.
#o eco do meu grito planeja me encontrar lá#

filmo com essa pupila que não desejei , a circulação de fluidos nessas lacunas,
e lá acho registros de mins.
#faíscas de uma fogueira na forma de nuvem#
 lábios que caminham no meu desconhecer.
minha fala /duas lacunas/

apesar delas, invento uma fé.
por causa delas, há tensões que jamais repousarão.










Quarta-feira, Novembro 16, 2011


vejo
 meus pés e minha garganta
putrefatos,picados
como uma carne
vermelhaaaaaaaa,
vermelhaaa
de---sangue.

são flores de uma estação que passou.---minha língua e o futuro acontecido

é uma epiderme que sempre pede passagem- meus passinhos vermelhos
uma mucosa que delira com o próprio líquido-
deglutição involuntária-minha garganta oca

- o líquido já líquido em mim
reverbera na 
-corda-bamba , vertical (alma) da vida (vida?!??)
enquanto isso
as flores embrenham-se no mesmo ramo
encobrem o abismo (que também se embrenha)
e colorem o céu com espinhos-verdes-vermelhos-doces

(-suspiro)/

piso nos holofotes do devaneio
(espera),

e me vejo dizer:

não sei o gosto que  esse quando tem.

Quarta-feira, Novembro 02, 2011

insolação

 minha penugem de tempos em tempos habita uma veste 
feita de alimentos¨febris - que procuram um meio de se comunicar
nessa vasta insolação)
eu subestimava tuas calças e teus movimentos com um olhar ralo
e o direcionava ao teu nada.
 ardente nada.
 -partitura plausível do acontecer.
¨¨corpo espalhado no ar¨    ¨¨¨¨  o acontecido
(rotina) 
pela janela dessa paisagem , escolho
o ritmo impreciso da palavra já
cega
vazia
 que espera que uma boca-vulcão lhe dê corpo.
[onda avalanche gritando "meu amor"]
( precisava impedir o desmoronamento dessa paisagem mas tudo já era gasoso ¨corpo espalhado no ar¨ ¨¨¨eu contemplava o ensaio de tua cena que misturava tempos e desmanchava bocas.Eu bebia as cinzas da boca-vilã que confundia nuvens e fumaças (do querer) Da minha casa eu via/vejo o sinal rasteiro do equívoco que me acorrenta numa penugem de vida que se comprime e se estica numa lacuna.)
A cidade me dá vertigens.
 

Domingo, Outubro 16, 2011

e depois quando despejava aquelas goteiras,
meus cabelos eriçavam junto à tua pedra escondida.
-eu me escorria num ventre-flor daquela paisagem suada e melada
e você me lembrava de expurgar qualquer secreção
que ainda havia em meu corpo.(expiração)
eu fazia um enorme esforço de expulsão, mas teu hálito
me inebriava ainda mais, e eu o bebia fantasmagoricamente.
-bocas-becos, becos-mundos- tuas carnes
me dóia a consciência apocalíptica e feroz dos meus dias,
e eu te mostrava que não havia outro caminho a não ser tramar.
e beber.
(cheiro estranho na consciência)- riscos de uma paisagem comprimida-bichos enjaulados
 você urdiu meus pés (eu te ajudei nisso) e construímos uma
fuga solidificada no tempo de uma florrr-
nossa trama rasgava nossa garganta e entorpecia o tempo-ele rasgava meus vestidos dúbios-
raio nublado
cheiro onírico
nosso sonho
avançávamos rebeldes cheios de pecúnia no horizonte
 querendo uma identidade imediata- e* audaz
-fragmentamos o horizonte dos nossos sonhos- tornamos nossas paisagens conceituais demais-
                                              /                  desvios                    /

muitas vezes a intenção (dessa minha viagem ?!) era suprir (nossa ) imagem, noutras fotografá-la*
eu viajava numa noite fria que cantava no meu ventre amolecido
e que não tinha outra opção a não ser tecer (novamente)
- uma fera do sonho ( que existe entre nós) busca um sentido além da boca-comunicação.
desfia a paisagem
tece e entrelaça os cabelos ,meus e teus.

nossos corpos-intenção talvez um dia se urdam.

Sábado, Agosto 13, 2011

tantos ruídos batiam naqueles olhos, que desabrochavam os meus ouvidos para um  instante-futuro.
* uns instantes furtos nas retinas de teias estrangeiras, embolavam a moça de cabelos negros.---- ( há algo que deve ser completado aqui, nesse espaço que deixa de ser branco agora)
// sonho com  uma virgem que compõe uma canção numa cadeira vazia/ e docemente a ouço//.
 , o estalo de sua música oscilante pelo não-lugar ,
me indicava a porta de flores partidas. /aqui também/.
e eu, (tolo pronome subjetivo), subitamente
 rodopiava  nessa música efêmera que cirandava em meu peito.
 @ era uma rosa púrpura mas vermelha de sede @ o  habitat teumeu
-a música virginalmente me desfalecia-
e uma insônia flertava com minhas letras mal-ditas  me convencendo de que era
-- uma ficção cheia de quereres.( o meu peito)
meu peito, peito meu anti-habitat-já não sei mais-
- almeja tanto uma presença errática/que exausto mal consegue carregar os bilhetes da manhã.

(um anjo cor-de rosa de elementos pandora me vê na procura de ..






Segunda-feira, Agosto 08, 2011

" acaricio o abismo e volto a dormir no fundo da casa"



é sempre aquele formigamento
entre os dedos dos pés,
uma transfusão de sensações,
que desembaraça os passos
e os laços,
 uma elucidação viscosa que grita
que mantêm o ruído oco
 que não elabora nenhum pensamento,
que não aquece ,[ a não ser as ilusões]
 que transporta as ideias a um paraíso suado, borrado
destilado,e que conduz o fio da penumbra pra dentro de sua boca.
/é deste lado o paraíso/
/////////
um
curtido
*-*////veneno
/-/+*+/-/-*/-/-/
////////de
/*//// verbos - penumbra
////**
////
{delícia de matéria que rompe
 minha fala consumida.}

olho por detrás de mim e vejo
 um abismo previsto,
 uma sessão já comentada,

[um aborto do eu.],

e continuo,

Quarta-feira, Julho 20, 2011

                                                                 uma trama:::::que deseja
 apunhalar santas em êxtase
suprir no mergulho o /risco de uma sombra incomum/
e desmentir tua boca
& ;(des) vantagens desmedidas daquela prosa  &; 
fertilizo uma inocência na brancura seca e indizível de uma língua/
 e levo meu sexo a alucinar uma vertigem (*ardente apunhalada no meu sexo santo*)
-tenho vertigens nesse instante em que sou lido, e me satisfaço (?)-
 é triste a carnavália do indizível alcoolico[lago de sensações] que cambaleia nos passos do não-dito{futuro futuro retrato
/repito as mesmas ações da cena anterior./
= e contrario o poema que você fez, me fazendo lânguida=
  vejo a minha cor: fantasia reprimida de pureza e feitos, permeada por uma amnésia do excesso.
#uma fome que caminha trepante num corpo-mundo.:  é o :meu organismo.

Sexta-feira, Julho 15, 2011

*e vinha intermitente uma ideia fixa que ressoava
 nos ossos dos meus versos dúbios
[arrefeço nessa areia/ ilusoriamente doce/]
uma dessas ideias que rompe
o calor das sílabas
e explode nos  rastros vertiginosos que me vêm ao acaso no delírio-
/-ensaio uma oração de uma noite,e vago/.-vaga-/
¨¨¨¨ sutilmente a ideia vai rasgando, corrompendo
         as penas, os pêlos, o sabor
       e voa e some nas distorções de uma   pretensa   possibilidade.

Quarta-feira, Junho 15, 2011

embolada numa paisagem concreta
- de ontens permeando o agora-
tramo fios e fios de teorias que se articulam procurando pelo que resta:

um cenário, um arranha-céu,
um gosto,um passaporte,
 uma boca, uma confissão, um acerto.

: folheando minha embriaguez passional ,tenho vertigens na cena
([-em que não sou eu em que não sou eu em que sou eu-])
em que busco o transporte subterrâneo , desconhecido do real.

sem uma linguagem imediata-/inspiro na vertigem dessas teclas ocas que me vêm ao acaso

com uma linguagem de sensações enterradas no gesto, vislumbro uma avenida de confetes.(centelhas)



(aquela nuvem molha o capim delicadamente)

........
demoradamente.

Sábado, Maio 28, 2011

ronca na palavra o desejo inscrito de um olhar que formiga e exala carretéis de beijos
- suspira por entre flores de um longe e tumultuado inverno tua pequenez-
lateja contra uma parede vermelha os espaços em brancos que conduzem os estalos das letras-fendas,
{por onde saem os sopros de tua palavra.}
um corpo-muro
um caos -seguro
tua invenção de desejos se desfazendo se desenrolando nas linhas das palavras que se modificam ( costura mal feita). e ainda assim, alçam o muro
uma tatuagem -a minha que se perde na sua-se segura em si e olha a palavra que geme= = = uma âncora no deserto que tenta salvar teu desenho, teu molde, teu caos-seguro, nosso corpo-muro doidos de si.



Sábado, Maio 14, 2011

escorre minha boca violenta pelo chão e arqueja as roupas que gastam o meu corpo ( o corpo do meu corpo) etereamente cansado e palidamente sofre em vão embriagado nas curvas do destino que me congela como uma experiência mortal engole absurdos e medos deslizantes numa quimera ossuda tentando transformar a atenção em flor, arranca-me o couro cabeludo entorpece meu riso que ri, ri e se espanta inércia agitada do espetáculo -colho fruta sem cor queimação silenciosa na carcaça unha batendo contra o dente procurando uma fresta, uma nesga , um caule, eu estou deslizando nas horas que me espanca -universo fodido de sonhos- queimo a inevitável queima * na espera * "tempo sem margem" Infinitamente.Para Sempre.

(assinalo o mesmo ponto do vazio)

Segunda-feira, Abril 18, 2011

-tudo é pastagem-
-madrigal de estranhos.-
-fotos líquidas ecoam
/sub/ emersas na pastagem que vê-
estranhos objetos de cena-de cera-
(nós) -decompondo-se no
calor da vela que não se apaga-
-inscritos numa ausência muda-

{esse vício de estar na beira só a gente tem}

Sábado, Março 19, 2011

meus joelhos dobram no frisson do decote apertado
= que enxuga meu nu santo
                                 santo
                                 santo...
subjetivando as previsões
endoideço sóbria
as santidades efêmeras
e ofereço um decote santo  ----------------
(baque cintilante no vulcão)
-terra molhada de jasmim-
................        .....         ........ ..  ..  ..  .... . . .
 braços apertam o teu no meu
} construções enloquecidas de queda {
e é tão santo
           santo
           o meu
           no teu.

[braços e dedos deslizando banhados num silêncio anterior.
 uma imaginação santa , encoberta na nascente do desejo,ofusca-os: [

santuário de razões adoecem= = = = .. . .    .  . . . ....(linguagem) etérea-efêmera.

Sexta-feira, Março 11, 2011

{na boca e
na
lama
uma promessa
suspensa}
[dívida cobrada perpetuamente entre você e você]
sem mediador
sem público
sem pedaços inteiriços
só com o avesso
(essa tua insistência)
 pedindo
comida
num  
terreno baldio.
é a lama do tempo na cara
usurpando as articulações
que você tenta proteger.

[  teu enigma apodrece entre os órgãos]

tempo.

sombra líquida na carne
maquiagem espessa na alma
meu caule
tua gengiva
tolo fio
apodrecendo em festas.

Quarta-feira, Março 02, 2011

desse arroio um pântano : virada de luzes mordentes nos passos -ecos
 perseguindo aquele cheiro que fica
-cor de lama, perfume de jasmim.
varando meu peito de canteiros-cheio de súbitos-
destinado a pegar o vento da minha trama
(coisa que não possui nome)
soluça-se na madrugada, [ passaporte para a manhã], uma trama venerada de sonhos
{lama na boca e no cheiro}
repete-se estica-se alguma suave trama
que de gota em gota desenrola esse capricho.
¨¨¨ mordente